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Na terça-feira 28 fomos conhecer o programa Altas Horas. A viagem, organizada pela Unibrasil, tinha um cronograma interessante. Os estudantes, antes de partirem para Rede Globo, podiam escolher entre conhecer o Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca. Abaixo, segue um relato dos bastidores da viagem.

Antes da partida dos ônibus, a frase célebre “Tenho três garrafas de vinho na mochila”, dita pelo estudante Juliano Pedrozo foi à premissa para juntar uma galera, contar as moedinhas e correr em busca de bebida alcoólica. Com passos largos, ansiosos a espera de uma gota de pinga, quatro estudantes foram ao posto de gasolina mais próximo, desembolsaram R$2,67 cada, e compraram dois litros de coca-cola e um de pinga, da marca Askov, a mais em conta.
Depois das compras, os adeptos da bebedeira voltaram para faculdade, já com a idéia de burlar as regras e tomar a “birita” nas dependências da instituição. No banheiro, misturaram a bebida, colocaram em copos plásticos e distribuíram ao grupo que, minutos depois, já demonstravam, mesmo que superficialmente, os efeitos da ingestão alcoólica.
Logo, as luzes da faculdade se apagaram, os quatro ônibus chegaram e o grupo entrou nos automóveis. No quarto “busão”, local onde boa parte dos bêbados ficou, houve a confecção de um frigobar, lotado de gelo, vodka, vinho e outros líquidos alcoólicos.
O grupo se desuniu depois da confusão dos lugares, ocasionada pela falta de organização da Unibrasil e da agência de viagens. O pessoal que ficou no automóvel lotado de bebida, deixou o sono de lado, vestiu a camiseta e a calça da baderna, e marcou o ônibus com gritaria, vomito e “brincadeiras”
Segundo o estudante Murilo Cardoso uma menina chegou a ficar quase nua. “De tão bêbada que tava, ela esfregava os seios no banco”. Outra moça, segundo fontes sigilosas, esqueceu do compromisso lá fora e embarcou numa deliciosa “pegação” com um rapaz, também compromissado.
Poliana Dal Bosco, também estudante, contou sobre o estado do banheiro. Da ponta do espelho ao vaso sanitário, do chão à pia e a torneira . “Tava tudo sujo de vomito. O cheiro era insuportável”.
Nos outros ônibus a viagem foi tranqüila. Uma cantoria aqui, umas brincadeiras ali. O clichê “O fulano roubou pão na casa do João...” foi presente. Símbolo das viagens, o João a cada dia fica mais pobre.
Apesar da noite picante regada a álcool no ônibus 4 e a viagem sossegada nos outros, a chegada em São Paulo foi tranqüila. Os grupos se dividiram, alguns foram tomar café, outros banho e muitos conhecer o metrô. O estudante Igor foi para o boteco. Perdeu-se da galera e ficou, temporariamente, perdido em São Paulo.

Peculiaridades da viagem à parte, a visita em São Paulo foi “recompensadora”. O museu da Língua Portuguesa, anexado a Estação da Luz, deu um banho de informação e interatividade. No 3º andar, um vídeo narrado por Fernando Montenegro mostrou a importância da língua. “A espinha dorsal da sociedade”. Depois do término do pequeno filme, uma sala com imagens projetadas no teto foi palco de poemas narrados por diversas vozes.



No 2º andar, a interatividade foi mais intensa. Computadores espalhados podiam ser acessados. Deles, informações sobre línguas, como o Ioruba, dos africanos, eram expostas aos olhos curiosos. Nas paredes, detalhes sobre o surgimento dos idiomas e filmes a respeito do tema. As pessoas ainda puderam brincar com o jogo de palavras, totalmente interativo.



No 1º andar, uma surpresa. Machado de Assis recebia o público com uma advertência. “Este título de papéis avulsos parece negar ao livro uma certa unidade... São pessoas de uma só família, que a obrigação do pai fez sentar à mesma mesa.”
A exposição sobre Machado estava recheada de contos do autor. Objetos referentes à época, comentários de outros autores a respeito de seu trabalho e vozes. A cada cenário, um botão vermelho na parede emitia sons sobre Machado.



O tempo na exposição foi curto. Seria necessário uma tarde inteira para apreciar todo o conteúdo do Museu da Língua Portuguesa. Mas isso fica para próxima viagem, quem sabe ano que vem na visita ao programa CQC, da Band.
Bem, enquanto alguns foram apreciar o museu, outros correram para Rua 24 de maio, local lotado de comerciantes. A estudante Elis Brasil, junto com uma galera de sua turma, percorreu o labirinto de barraquinhas. Suellen Marcely, acadêmica de jornalismo, fez compras. “Olha, comprei até uma bolsa. Baratinha. R$10,00”
Para os desempregados que desejam fixar moradia em São Paulo, fica uma dica. No bairro Bom Retiro, ao lado da Praça da Sé, os lojistas precisam de muitas vendedoras. De cada 10 lojas visitadas, em seis o cartaz “Precisa-se de vendedora” era exibido.
Depois da visita ao museu, caminhadas pela cidade e compras, chegou a hora do almoço. Na churrascaria, o rodízio era baratinho, R$ 7,99. Com a barriga cheia e os dentes escovados, a próxima parada foi a Rede Globo.
Na chegada a maior emissora de televisão do Brasil, uma surpresa. Igor, o menino perdido, já estava no local. “Cara, encontrei um taxista que é meu parente. Conversamos bastante e ainda por cima ele me levou para conhecer São Paulo. Foi irado”, disse sorrindo, com um pedaço de pão no canto direito da boca.
Na emissora a recepção foi rigorosa. Depois de instruções sobre o funcionamento do estúdio e as regras do local, o pessoal subiu à arena de Serginho Groisman. Gilberto Gil e outros convidados foram entrevistados pelo apresentador. O ex-ministro da Cultura fala que é uma beleza.



Uma atriz portuguesa emocionou a galera ao cantar com sua voz meiga algumas músicas brasileiras. O jornalista Valmir Salaro do fantástico falou sobre a cobertura de assuntos policiais. De um aluno da UEPG surgiu o “caso Eloa”. Salaro opinou sobre a cobertura do seqüestro e criticou os métodos utilizados pela mídia, como a entrevista com Lindenberg na hora do acontecido.


Para estudantes de jornalismo interessados em televisão, foi de extrema importância conhecer a gravação de um programa como o Altas Horas. Um erro no microfone, uma falha na câmera, palmas falsas e dificuldades na apresentação. Foi possível acompanhar passo a passo, desde a gravação de um comercial para Gilete até a atuação da produtora.



Na saída do estúdio, os já cansados estudantes receberam pão com presunto e queijo, maça, suco de caixinha e um bombom sonho de valsa. Deu para diminuir o enorme buraco no estômago.
A viagem de retorno à Curitiba foi tranqüila. No caminho o pessoal de Relações Públicas cantou “Como Nossos Pais”, da Elis Regina, depois pulou para Ivete Sangalo e no fim puxou um pagode. Mas a maioria da galera manteve os olhos fechados, pois estavam cansados ao extremo.
Em frente à faculdade, às 2h30, pais em busca de filhos, estudantes com olhos remelentos, táxis e comentários como “Ai, amanha tenho que vir cedo” era o cenário do fim de uma viagem gostosa, com direito a exposição sobre Machado de Assis e lanche fornecido pela Rede Globo.

Abraços, me liga.

4 Comments:

Fernando said...

ai que show! claro que num gostei dessa coisa cultural xaaata, mais a parte do programa lá foi legal ^^, e da volta da viagem te um pagodinho ^^ IAHAOIUHUA

Talita Bridum said...

Para resumir seu texto, lá vão os melhore momentos da viagem:
1º Ônibus parado antes de partir;
2º Lanche antes do retorno para Curitiba (pão com queijo e presunto), nunca senti tanta fome!!!

Até o CQC!
bjs

Linconl said...

Amigo...perfeito isso!
Me arrepiei do inicio ao fim seus relatos....deve ter sido massa demais essa viagem!
Ja tive o prazer de ir ao museu da lingua duas vezes...é maravilhoso...agora fiquei com inveja por vc ter ido no Altas Horas..que massa!
Depois me conta tudo, hein!
Abraço..me liga tbem...hahahaha

Suélen said...
Este comentário foi removido pelo autor.